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sexta-feira, 19 de março de 2010

ONU

A experiência de um intercambista não é feita apenas do conhecimento adquirido em sala de aula. É composta, também, da bagagem cultural que surge em seu cotidiano. Seja dentro ou fora do centro acadêmico. Numa cidade como Coimbra, em que se respira história, e que acolhe estudantes de diversas nacionalidades é possível detectar essa troca de cultura facilmente.

O alojamento é um dos lugares mais propícios para que isso aconteça. Aqui na residência do Polo III, o centro da saúde, a interação ocorre na cozinha. Apelidada carinhosamente de “ONU”, devido ao fato de seus freqüentadores serem das mais diferentes partes do globo terrestre, e terem uma convivência pacífica. A hora do jantar, principal refeição do pessoal, é quando se tem mais contato com outros moradores do – 1, andar que nos próximos cincos meses será a minha casa. Aliás, a dinâmica do alojamento não foge a regra da rotina coimbrã, onde a cidade vive a noite. Cafés, bares, teatros e afins funcionam a partir das 17 horas (horário local, ai em POA seria 12h), antes disto é possível encontrar alguma movimentação na Universidade de Coimbra. Ainda tento me adaptar.

Mas, voltando a nossa cozinha, todas as noites temos um verdadeiro festival de gastronomia. Comidas típicas da Polônia, Turquia, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Estônia, China e diversas partes do Brasil (RS, SP, RJ, MG, BA). Além de provar a culinária de outros lugares, é nesse momento que rola um intercâmbio cultural: costumes, idiomas, experiências, e etc. Uma forma, também, de se sentir mais em casa, uma vez que está todo mundo no mesmo barco: em um país diferente, uma cultura totalmente diferente da que estamos acostumados.


O grupo de chineses, de Macau, são os que mais fazem pratos elaborados e típicos



Brasileiras de RJ, RS e SP reunidas

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O burro vem na frente

A curiosidade faz parte do processo de construção da sociedade e das inovações também. Pela mente de curiosos se fez a luz, o carro, a geladeira... Por causa dela fazemos descobertas importantes e outras não tão importantes assim.

Mas até que ponto a curiosidade pode avançar? Creio que o conceito de curiosidade se entrelaça com o de liberdade. A tua termina no limite de atingir o outro. Minha curiosidade não pode prejudicar as outras pessoas.

Tem situações em que a curiosidade é mórbida. Nos acidentes de trânsito percebemos isso claramente. Se alguém souber a resposta, por favor, me explica, mas por que as pessoas reduzem a velocidade do seu veículo ao passar por um acidente de trânsito?

Você não é médico para ajudar, aliás, as equipes especializadas provavelmente já estão no local prestando esse socorro. Você não tem nada a contribuir, então? Por que diminuir o carro? Isso quando não param e metem a cabeça dentro da ambulância.

Sempre ouço dizer que jornalista tem que ser curioso. Sempre que conto o curso que faço para pessoas de fora da universidade, logo me perguntam: Então você é curiosa? Porque pra ser jornalista tem que ser.

Não nego que espicho a cabeça quando vejo algo diferente, não nego que gosto de saber do que acontece, mas será que a profissão exige que eu burle a integridade das outras pessoas em prol da minha e só minha satisfação? Será que meus ouvintes/leitores/espectadores querem ver a imagem de um corpo num estado que "prefiro não comentar"?


Essa foto explica um pouco o que quis dizer e na verdade foi ela que me inspirou as fazer estes questionamentos. Reparem que o acidente aconteceu no acostamento e não há nenhuma faixa bloqueada, não há ninguém impedindo o caminho. Aliás, o caminho para frente está totalmente livre, os primeiros estão com velocidade reduzida para ver o que está acontecendo e os que estão atrás, estão "pagando o pato". Será que tenho o direito de atrasar a vida de todos que estão com seus carros atrás do meu porque estou curioso para ver o que acontece?


A foto foi borrada propositalmente para não correr o risco de alguém ver seu carro ali e achar que pode cobrar alguma coisa... Aquele tipo de gente do post Oportunismo... E eu ainda me admiro!