quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quando crescer quero ser policial para matar os bandidos

Corpo franzino, 13 anos (com aparência de 10), quatro irmãos, pai e mãe ainda* casados. Esse é um recorte da vida do Ródney. Ele mora na Cidade de Deus (RJ), estuda no turno da manhã e durante a tarde e noite vende chaveirinhos para turistas em Copacabana.
O menino, coitado, não sabia que estava oferecendo seu produto, ao custo de quatro Reais, a estudantes de jornalismo sedentos por conhecer estórias interessantes. Ao dizer que era da Cidade de Deus, quase assinou um termo em que permitia ser bombardeado com dezenas de perguntas.
Claro que dentre as questões surgiu a clássica: O que você vai ser quando crescer? A resposta intitula este post.
O Rio de Janeiro parece estar dividido em dois: Quem vive do crime e quem sofre com ele.
Não há photoshop que apague o morro do cartão postal visto ao vivo. Há morros por todos os lados. Há quem viva do tráfico, pelo tráfico, com o tráfico, há quem viva para combatê-lo, mesmo que com meios nada ortodoxos, como pretende fazer nosso personagem.
Do outro lado há os que sofrem com a violência, principalmente pela ação da polícia. Fechar uma boca de fumo sem manchete no jornal não gera índice positivo na clipagem. Como todo bom egocentrista, a polícia quer destaque. São necessários muitos carros, contingente exagerado, pelotão de choque, tiroteio.
A festa pela escolha da cidade para sediar os jogos olímpicos de 2016 foi comemorada no Brasil inteiro, mas a dúvida que permeia é se temos condições para isso.
Até lá o Ródney terá 20 anos. Idade suficiente para ser policial. Será ele alguém que vai combater a violência ou teremos ainda a polícia que mais mata no mundo?


Desculpe o ainda, não é que não acredite em casamentos, mas sabemos que a realidade é pais separados, filhos de mães solteiras, “filhos de vó”...

Foto Cristo: Marcos Tristao
Foto Comitê Olimpico: Charles Dharapak

7 comentários:

Juh disse...

Flor
realmnte non sei se nós temos condições para sedira uma olímpiadas,parece q a kd dia q passa a criminalidade só aumenta
e nós cidadãos fikamos kd vez mais expostos á td essa violência
bjoks

Edinho Lumertz disse...

"Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio(agora trocaram a Veraneio pela Blazer), Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho. Com números do lado, dentro dois ou três tarados. Assassinos armados, "uniformizados"

Porque pobre quando nasce com instinto assassino sabe o que vai ser quando crescer desde menino:
ladrão pra roubar, marginal pra matar, papai, eu quero ser policial quando eu crescer

Se eles vêm com fogo em cima, é melhor sair da frente. Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente. Com uma arma na mão eu boto fogo no país e não vai ter problema, eu sei, "estou do lado da lei"(Quem mata só pode estar do lado lei, sacaram? Matar é da lei brasileira)

Agora todo mundo ou quase todo mundo está feliz porque não sei quantos bilhões entrarão no país e não sei quantos benefícios(cujos serão desviados). Neste momento o Brasil está com o nariz empinado, comemorando, e alguns acham que isso é garantia de respeito internacional. Quando faltar um ano para essa bobajada começará a queimação de filme com o esterior. Todas as obras estarão paradas, irregularidades com licitações, apenas 50% pronto, e se bobear, estouram bomba nas pessoas como aconteceu em outra cidade, no passado.

Edinho Lumertz disse...

Esqueci de dar o crédito da letra de Veraneio Vascaína. Em 31 anos vemos que nada mudou. Este texto é de 1978. Autoria de Flávio Lemos(baixista do Capital Inicial até hoje) e Renato Russo, já falecido(ex-vocalista da Legião Urbana). Era uma música da banda Aborto Elétrico onde o Flávio e o Renato tocavam juntos.

Edinho Lumertz disse...

escrevi exterior com "S", é o que dá ser brasileiro(hahaha)

Andressa Xavier disse...

A questão da violência acho que nunca vai terminar. Vamos dizer que lutamos contra ela, mas fazer alguma coisa de verdade poucos fazem. Quanto às Olimpíadas, eu acho que podem ajudar de alguma forma no desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o dinheiro gasto com estruturas ociosas é um absurdo. Tanta gente precisando de atendimento médico, segurança pública, e tantas outras carências que temos e um dinheirão será gasto com isso. Tudo bem que grande parte vem da iniciativa privada, dizem. Já o dinheiro público aplicado... Prefiro ver a verba em estruturas ociosas, como disse, do que no bolso dos corruptos. Não que eles deixarão de roubar, mas já que desviam tanto e gastam tanto com besteira, que agora gastem com esporte e estrutura. Alguma coisa boa vai sobrar pra depois do período da Copa e dos jogos Olímpicos. Tenho fé que vai. Afinal, sou brasileira, né?!

Natacha Kötz disse...

"Eu sou brasileiro e não desisto nunca!"
Belo texto, Elis. Bela fonte. Pelo jeito a viagem ainda vai render muitos outros textos como esse.

Ari Pheula disse...

Oi!
Encontrei o blog de vcs no meu orkut...
Adorei!