domingo, 20 de setembro de 2009

Carne, pra que te quero?

Dia desses estava em sala de aula quando começou uma discussão sobre vegetarianismo. A maioria das pessoas condena quem opta pelo não consumo de carne. Depois disso ouvi o apresentador de TV Jô Soares dizendo que "vaca nasceu pra morrer". Foi esse tipo de pensamento que inspirou meu texto.

A opção de ser vegetariano vai muito além de sentir pena dos animais ou de ter uma vida saudável. Ser vegetariano é, principalmente, adotar uma postura ética diante da sociedade especista em que vivemos. Atualmente, o discurso que utilizamos para defender os animais é o mesmo que utilizamos no século passado para abolir a escravidão e a desigualdade entre os sexos, cuja luta segue até os dias de hoje.

Não vou pregar um discurso aqui para que as pessoas se tornem vegetarianas. Não penso que isso seja realmente necessário, pois os próprios animais matam o menor e mais indefeso para se alimentar. O meu maior desejo é a conscientização da população em relação ao consumo correto e moderado de carne.

As controvérsias em relação à nossa saúde são infinitas. Existem profissionais da área da saúde afirmando que a eliminação da carne da nossa dieta seja a opção mais saudável a ser tomada nos dias de hoje. Outros dizem que a carne é essencial para a sobrevivência humana. Bem, não sejamos radicais. Nem oito, nem oitenta, prega o ditado.

Para aqueles que não dispensam um bom churrasco, a proposta dos ambientalistas é que o consumo de carne seja reduzido nas refeições. Na primeira quinzena do mês de junho da revista Exame, o ex-Beatle, Paul McCartney fez um pedido aos seus fãs: que aderissem à campanha de não-consumo de carne por, pelo menos, uma dia por semana com o objetivo de combater o aquecimento global. Pois, segundo uma agência da ONU, a produção mundial de carnes é responsável por 18% da emissão dos gases causadores do efeito estufa. Quantia superior à emissão causada pelos automóveis de todo o mundo.

A maioria das pessoas sabe que aquela fazendinha familiar que criava o gado solto no campo foi substituída pelos grandes centros de agronegócios, que o seu entretenimento e sua diversão significam dor e morte de milhões de animais, e que alguns experimentos questionáveis ocorrem em laboratórios de todo o mundo. Ainda assim essas pessoas acreditam que as condições destes animais “não pode ser assim tão ruins. Eles devem ser bem tratados lá”.

Infelizmente não é assim que funciona. A carne de vitela, por exemplo, é um modelo de crueldade com esses seres. O nome é utilizado para aquela carne branquinha de bezerros machos, que boa parte da população costuma consumir por ser mais tenra, macia e sem gordura. Alguém já parou pra pensar porque a carne é assim? O bezerro, logo que nasce é colocado em baias com espaço mínimo e amarrado para que não se mova e não fortaleça os músculos. Esse processo é feito logo que o animal nasce e é separado da mãe. Passa todo o tempo preso e sendo alimentado com litros e litros de leite, até que chegue a hora do abate.

Poderia citar aqui vários exemplos de carnes e acompanhamentos que não devemos consumir (como o foie gras, o Galletto Al Primo Canto, onde o animal é morto ainda pequeno para que a carne seja mais macia, entre outros), mas termino por aqui com a esperança de que todos que leram minha opinião diminuam o consumo de carne em um ou dois dias da semana. Com essa atitude, estará contribuindo com a própria saúde, com o meio ambiente e o bem–estar animal. Além de consumir o conceito chamado de alimentação ética.

10 comentários:

Natacha Kötz disse...

Oi, gente! Desculpa pelo mesmo post já publicado em outro site, mas é só pra manter o blog atualizado, já que fiz essa promessa pra vocês. Hehehe...
Beijos

Edinho Lumertz disse...

Eu não sei de nada. Não confio em pesquisas, e, menos ainda, em pesquisadores. Paul McCartney é um bom cantor e compositor, contudo muito amargurado pelo sucesso do John Lennon, que até hoje, é maior que o dele(O detalhe é o que o John já morreu).

Outra coisa importante para mim que não sou vegetariano: a carne pode ser tão ruim quanto uma folha de alface em função dos agrotóxicos e inseticidas.

O mais importante: nunca comi esses pratos mais caros, carnes mais caras, tipo a Vitela. Há pouco tempo nem sabia o que era. Descobri através do rádio neste ano. Como costelas, múculos, picanha(de forma bem mais rara), e como bem menos do que gostaria.

Sobre o Jô, eu o acompanho desde os tempos de SBT, a questão dele são os maus tratos. Todo mundo irrita dizendo pra não comer carne porque é um ser vivo. Cenoura não vive? Não é cruel do mesmo jeito acabar com a vida de uma beterraba? Só por que não tem sistema nervoso? Essa é a questão que ele implica e eu concordo. E sempre tem os patetas que largam a carne, mas comem muito macarrão pré pronto e pão no lugar, que não adianta nada.

Então...não sei de nada. O que sei é que é difícil receber visitas maniáticas, que não comem isso ou aquilo. A gente agrada um e não agrada tanto o outro, e o outro não come sei lá o que, e a janta não sai. Eu como de tudo, menos nata e creme de leite puro.

Difícil sim, impossível não. Te aguardamos, Natacha.

Beijos.

Elisandra Borba disse...

olha... beterraba não sente dor. Pelo menos nunca as ouvi gritar.
Não sou vegetariana, mas adoraria ser. Infelizmente adoro carne e ainda não tenho estrutura para me desfazer dela. Quem sabe um dia consiga.
Não como diariamente, porém mais do que deveria.
A questão do texto não é só a pesquisa ou só o que o Jô diz. Mas pensar um pouco mais no que fazemos. Não é uma coisa absurda comer carne. O absurdo é pensarmos nos animais como seres sem sentimentos ou sensações físicas, como a dor.
O Jô falar as essas asneiras a gente entende, porque ele é humorista e vive disso. O problema é as pessoas inteligentes e educadas repetirem.
Não acho que seja tão difícil assim receber visitas que não comem carne, até porque os pratos que considero os melhores feitos por mim não vão carne, como os suflês de queijo e de batatas.
Edinho eu te amo, mas precisei discordar de forma agressiva porque essa ironia de crueldade com os vegetais é uma coisa que me irrita...
E Natacha, tu pode postar tudo que achar interessante, não precisa jamais pedir desculpas por nada, além disso, já tinha adorado esse texto e achei que ficou bem bonito aqui também!
bjs

Edinho Lumertz disse...

Eu não estou só repetindo como fosse um papagaio, eu concordo com o Jô, independente de ele ser humorista. Legumes e verduras não gritam de dor, mas não é por isso que são seres menos vivos que os outros. Se a questão é grito, então vamos comer só carne de ovelha, porque ela não grita ao ser morta. E eu me referia exatamente ao suflê de queijo. Lembrei que naquela ocasião, a irmã de quem nos visitou talvez aparecesse, e ela não come queijo, só isso. Então seria uma vegetariana junto de uma que não come queijo. Eu teria de jantar pão de sanduíche integral com margarina. Só isso. Tem tanta coisa pra se preocupar que não a questão da carne. Essa discussão é artigo de luxo pra poucos. A maioria está morrendo por aí de vícios, de miséria, de violência, de falta de educação, de tudo. A carne é muito pequena perto do resto.

Natacha Kötz disse...

Bom, eu pensei em fazer um post mais light, não EXIGINDO que a população seja vegetariana sim, só reduzindo o seu consumo de carne. E mesmo assim o assunto gerou polêmica e discussão, como sempre.

Bom, eu sou fã do Jô, embora pense que ele seja um recalcado. Trata todo mundo mal e se acha o superior. Tá certo que o cara é um puta crânio, mas não precisa humilhar os outros.

E cenouras, alfaces e demais hortifruti, não sentem dor, não! Eles não possuem sistema nervoso, o sistema responsável por todos os sentidos dos seres vivos.

Infelizmente eu ainda não consegui abolir o consumo da carne, mas é um sonho que pretendo realizar ainda nesse ano.

E tenhop que discordar do Edinho sobre o vegetarianismo ser uma opção de luxo. Com a exclusão da carne da dieta de um ser humano, ele vai gastar bem menos. Mas não é esse o caso. Como mencionei no post, na cadeia alimentar o maior mata o menor para se alimentar. A sugestão é somente que o consumo seja reduzido. Pois na selva, o leão corre atrás da zebra, mata e come na hora. Na nossa sociedade, o animal é preso, leva choques, apanha e, muitas vezes, tem a pele arrancada enquanto está vivo. Isso é justo? Eu não acho. Por isso penso que a redução do consumo de carne diminua a renda que os frigoríficos têm como esse sistema cruel de criar o animal.

Natacha Kötz disse...

Aliás, o que me levou a escrever o post, foi justamente esse tipo de comentário preconceituoso e irônico em relação ao consumo de carne.

Quem optar por essa diminuição, vai estar fazendo bem para o seu BOLSO e para a sua SAÚDE. Pois quando o animal sente medo de ser morto nos frigoríficos, recua e acaba levando choques, ele libera uma toxina que é extremamente prejudicial aos seres humanos. Aliás, qualquer ser vivo, que possui um sistema nervoso central, que sente medo libera essa toxina.

Outro aspecto a ser pensado: antigamente, quando o gado era criado solto no campo, as pessoas não morriam de câncer como morrem hoje. E não digo isso por pesquisas, digo por experiência própria. Minha bisavó faleceu aos 100 anos só comendo carne do animal que teve uma vida saudável e feliz. E hoje? Qual a expectativa de vida do cidadão brasileiro? É bem mais baixa. Além de carne com corantes, de bois que se alimentaram de rações que são prejudiciais e blá blá, temos os hortifruti que tbm são repletos de venenos.

Acho que o homem se acomodou. Tem preguiça. Pq não planta tomate, alface e rúcula no seu jardim?? Espaço?? Não é mais desculpa. Conheço pessoas que moram em apartamento e criam seus tomatinhos em vasos pequenos e que ocupam espaço.

A vida pode ser muito mais saudável, só precisamos agir corretamente.

Rodrigo disse...

Ia ficar de fora dessa discussão, mas não aguentei! hehehe...

Não sou vegetariano, mas concordo em diminuir o consumo de carne em um ou dois dias da semana a fim de ter uma alimentação mais equilibrada e saudável. Mas essa de comparar uma ovelha a uma beterraba me doeu na alma!

A espectativa de vida do brasileiro está aumentando nas últimas décadas, e não diminuindo! Em breve seremos uma nação de velhos! Mas provavelmente essa espectativa de vida maior não se deva em função de nossa alimentação (que vem piorando, com certeza), mas sim dos avanços na área da saúde.
Pesquisas (sérias) são realizadas com rigorosos controles de metodologia e ética, então não acreditar nelas nos leva a ignorância. É como fechar os olhos para o mundo. Resultados de pesquisas são importantes, SIM.

Em relação ao Paul McCartney, com certeza um dos maiores compositores e músicos que já existiu, se foi melhor ou pior do que Lennon não interessa. Duvido que o próprio Lennon tivesse conseguido a fama dos Beatles com outro baixista na formação. Além do mais, nunca vi uma declaração dele se dizendo insatisfeito com seu sucesso.

Edinho Lumertz disse...

Gente, o propósito de um texto é colher opiniões, correto? Podemos exigir que todos pensem iguais? Não é sadio ver as diferentes formas de se pensar? Basta sermos flexíveis e entendermos que cada pessoa é diferente. Não consegui me fazer entender em vários aspestos. O que mais me chamou a atenção foi o fato da polêmica. Que bom que polemizou. Sinal que o assunto chama a atenção de uma forma ou de outra e todo mundo que souber absorver as informações poderá crescer.

1-Quando citei a palavra luxo, não me referi ao sistema vegetariano, e sim, ao assunto. Ter tempo para debater isso é luxo de poucos, e eu tô fazendo em vez de escolher outra coisa. Mesmo sendo um luxo eu ter acesso ao blog e saber o que mentes privilegiadas pensam, ainda não é crime.

2-Não é me subestimar demais acharem que eu não sei o que é sistema nervoso e que é por isso que um tomate não sente dor? Eu usei um monte de figuras de linguagem. A ovelha foi uma piadinha, não uma comparação, visto que ovelhas não gritam quando sacrificadas, exceto se estiverem prenhas.

3- E daí o Jô, e daí o Paul! Deixemos eles lá. Eles não fazem a diferença aqui no Rio Grande do Sul.

Discussão faz bem, gente, eu não quis ofender. Peço desculpas.

Natacha Kötz disse...

Quando mencionei a parte do sistema nervoso central, não falei isso pq pensei que tu não soubesse. Falei isso pra justificar tua ironia sobre os vegetais.
E o Paul McCartney foi utilizado como exemplo na minha postagem porque achei muito válida a ideia dele de cortar a carne pelo menos uma vez por semana. Não precisa ser rigoroso. Uma ou duas vezes por semana é o suficiente para melhorar a saúde e diminuir os lucrs dos frigoríficos que vivem à base do sofrimento e tortura animal.

Edinho Lumertz disse...

"Tá" bom então.